Sete anos de Enzima e a magia que é sobreviver no Brasil.
Sete anos é um número que organiza o mundo, das notas musicais aos pecados capitais. Mas no Brasil, sete anos de CNPJ aberto é um brado retumbante. É a prova de que a gente aprendeu a transmutar o caos com dignidade sem padrinho.
Manter uma empresa viva por aqui exige mais do que uma planilha bem montada. Exige a coragem de quem corre confortável no fogo e o orgulho de saber exatamente de onde veio. Sete anos não é sorte, é resistência pura contra um sistema que joga contra.
O milagre estatístico e o chicote do sistema
Os dados do SEBRAE são um soco no estômago: 60% das empresas fecham antes dos cinco anos. E a culpa, segundo os bonitões e os especialistas de livrinho mágico, é sempre do empreendedor que não se preparou.
Engraçado que o sistema é uma mãe para os galáticos que afundam varejistas e bancos. Para eles, tem perdão de dívida e investigação em câmera lenta. Para nós, sobra o juro que sufoca e a fiscalização que não dorme nem no feriado.
O penhor dessa igualdade não é para todos, mas a gente joga sem chuteira e ganha.
A contradição é clara: o banco só empresta para quem já tem o bolso cheio. O governo só estende a mão para quem já é amigo do rei. Pro pequeno que está no soco, o sistema é desenhado para o fracasso planejado.
Verás que um filho teu não foge à luta
A gente atravessou o fogo pandêmico ainda neném e sem nenhum plano B. Não tinha pai, nem mãe, nem investidor anjo para segurar a onda. A única saída era para frente, transformando a incerteza em criatividade.
Diferente de muito jogador caro que faz as malas quando o calo aperta, a gente fica. Nossa raiz é profunda e nossa latinidade é o que nos mantém de pé. Sobreviver aqui é para quem tem o sangue mais quente do que o chão que pisa.
Aprendemos que a síndrome de vira-lata é pior veneno que tentam injetar na gente todo dia. Eles querem que a gente se sinta pequeno para não questionar o privilégio alheio. Mas aqui, o caramelo chegou e vai morder.
O futuro espelha essa grandeza
Sete anos mataram o medo e a necessidade de permissão. Hoje, a gente prefere pedir desculpas do que licença para existir e crescer. Paramos de esperar o incentivo que nunca vem para começar a criar nossa própria realidade.
Conquistamos nosso espaço com braço forte e com a consciência de que somos gigantes pela própria natureza. Sobreviver no Brasil é um ato de orgulho de um povo que é heroico por obrigação, mas soberano por escolha.
Valeu a cada maluco e maluca que não fugiu da batalha e continua no fogo com a gente. Salve, salve para os próximos sete anos de treta.
O sistema pode até ser bruto, mas a nossa resiliência é pura magia brasileira.