A “elite” brasileira está fugindo das Universidades Públicas?
O papinho de que o ensino superior estatal está quebrado é a desculpa padrão de quem não suporta ver a cara do Brasil de verdade ocupando cada vez mais vagas e com muito mérito, diga-se de passagem.
Não precisa sentar na mesa de tralheres chiques para saber o prato e o debate. Basta olhar para os dados que o comportamento de quem sempre tratou a universidade pública como parquinho exclusivo aparece; e chega a feder feito chorume.
Enquanto as federais serviam para manter o sobrenome dos mesmos de sempre no topo, ninguém falava em crise de qualidade.
Bastou o refeitório ficar colorido demais para que vossas ‘majestades’ corressem em outra direção. Os dados não mentem: pretos e pardos finalmente são maioria nas universidades públicas federais, chegando a 51,2%.
Os bonitões não odeiam o ensino, eles odeiam a convivência.
O suco de meritocracia misturado com herança e morangos premium
O coach-estrela adora berrar naquele microfonezinho headset cafona que o sucesso depende só do seu esforço individual. É mole falar de foco quando você não se espreme por quatro horas diárias num ônibus lotado.
As 24 horas de quem herda empresa não são, nem de longe, as mesmas de quem sobrevive ao corre. Mérito sem oportunidade é apenas herança disfarçada.
Usam a história isolada do herói de verdade que se formou na porrada para dizer que quem quer, consegue. É a exceção usada para justificar a regra da exclusão e manter o privilégio intacto.
Se o sistema exige heroísmo para entregar o básico, o sistema está podre. O que eles chamam de queda na qualidade é, na verdade, o fim da exclusividade.
O novo muro agora é em dólar
Como as federais foram invadidas pela maioria, o ‘time dos sonhos’ mudou o jogo. O critério de casta agora é estudar fora do país. Não se busca saber, busca-se distância.
O Brasil já saltou para o quinto lugar no ranking de estudantes matriculados em universidades nos EUA porque a ‘elite’ prefere o aeroporto ao campus brasileiro.
Eles preferem um diploma médio em qualquer faculdade de esquina no exterior do que dividir a biblioteca com o filho do porteiro.
A ciência que incomoda
Continua sendo produzida por quem ficou, mais de 90% do conhecimento neste país, mesmo sob ataque. Eles fogem das federais não por falta de ensino, mas por medo dessa mistura rica que deveria ter acontecido muito tempo atrás e que deve continuar.
A universidade só vira um problema para a ‘elite’ quando para de ser o espelho dela.
Democratizar o acesso ao saber é o pesadelo de quem vive de herança. A universidade pública resiste sendo o campo de batalha contra a colônia de privilégios.
Educação é direito e reparação, não cercadinho de luxo para quem nasceu com sucrilhos no prato.
E quanto aos bonitões: deixemos que fujam. O conhecimento só é real quando serve para todo mundo.