O mercado ama o iPhone, mas ainda joga os dejetos pela janela
O mundo corporativo adora posar de moderno. É um tal de inteligência artificial pra cá, automação pra lá e um brilho nos olhos claros toda vez que surge um gadget novo.
Eles compram o software de última geração, mas a mentalidade que opera o disposito ainda é a de um senhor feudal do século 14.
A tecnologia entra na empresa pela porta da frente, mas a estrutura de poder não se move um milímetro. O que os senhores feudais querem é a eficiência do robô mantendo a submissão do servo.
A inovação corporativa é uma farsa quando serve apenas para acelerar a produtividade sem mexer um milímetro na hierarquia do medo.
O feudalismo digital com Wi-Fi de alta velocidade
As empresas investem milhões em software, mas mantêm relações de trabalho que fariam um barão industrial chorar de alegria.
No papel é tudo horizontal, mas na prática o controle é total, o erro é punido e a horizontalidade é só papinho pra convencer a gente em dinâmica de grupo.
A contradição é escandalosa. Tal qual na Europa medieval, quando o básico da higiene era ignorado enquanto o resto do mundo avançava, no mercado atual é igual.
Temos tecnologia de ponta, mas jogamos a desigualdade e o machismo pela janela todos os dias.
O progresso é técnico, a ética é pré-histórica.
A mulher continua ganhando menos na mesma função. Dados do Ministério do Trabalho mostram que a diferença salarial, que era de 19,4% em 2023, subiu para 20,7% em 2024.
A coisa piora para a mulher negra, que chega a ganhar até 50% a menos que os homens.
O privilégio masculino herda a cadeira e a tecnologia serve para vigiar em vez de libertar o talento.
A lousa de giz no mundo do ChatGPT
O mercado prega inovação, mas sustenta uma educação de lousa e giz. A escola pública é sucateada para garantir que o pensamento crítico seja um luxo de quem paga mensalidade de cinco dígitos.
As salas de aula ainda têm o mesmo formato de ensino da Idade Média.
Ainda bem que hoje em dia tem banheiro, pelo menos. Mas a estrutura é desenhada para criar operários obedientes. A tecnologia que o mercado evita é aquela que ameaça quem está em cima.
Se a ferramenta dá autonomia real e elimina intermediários inúteis, ela é barrada.
O objetivo nunca foi o progresso humano, mas a manutenção da distância entre o bônus e o salário mínimo. A tecnologia não é neutra. Ou ela serve para quebrar as correntes ou ela é o chicote eletrônico da vez.
Se ninguém em cima está desconfortável, então nada de novo está acontecendo de verdade.
A verdadeira inovação acontece quando a estrutura de poder estremece. O mercado não quer o futuro, ele quer o passado com um lustre bonito, música de violino e vestido de festa enquanto não tem estrutura pra cuidar das próprias fezes.
Se a sua ferramenta não serve para ameaçar o privilégio, ela é só um brinquedo caro que enche o bolso de quem já tem muito.