O Volkswagen Polo e a homofobia disfarçada de liberdade religiosa.

Ultimamente eu venho com a sensação de que voltamos no tempo e estamos no século 16, tendo que falar pras pessoas que ser racista, homofóbico, machista e misógino é errado. Ridículo.

É sério mesmo que os “propriOTÁRIOS” machões de Volkswagen Polo estão vendendo seus carros por achar que é carro de gay por causa de uma propaganda? É sério isso mesmo?

SIM. é muito sério.

Vamos tentar levantar essa questão e tentar explicar o porquê é tão idiota você se importar com quem o amiguinho/amiguinha ou o vizinho/vizinha namora.

Uma breve história sobre a homofobia.

Se tem algo que é histórico e incrustado na nossa sociedade é o ódio. Representado por várias formas de covardia, entre elas: homofobia, machismo, misoginia, racismo e assim caminha a humanidade.

No decorrer da nossa “querida” história, vários fatos marcaram o tom preconceituoso da nossa “linda e evoluída” sociedade.

A homossexualidade sempre existiu nas sociedades, desde as mais simples às mais modernas. Até mesmo entre os animais.

Não é nenhuma heresia falar que uma relação homossexual é totalmente igual uma heterossexual e qualquer humano com mais de 1% de sua massa encefálica funcional percebe isso.

Já para a Igreja, históricamente, não foi bem assim o “raciocínio”. Com medo, talvez de uma redução populacional (nossa, como é infantil essa desculpa), a igreja tratou de demonizar o ato homossexual, isso mesmo, a igreja… veja só, logo ela.

Durante os anos de inquisição, pessoas que apresentassem comportamento homossexual eram torturadas e queimadas (até aí também nem era uma exclusividade, visto que queimava-se quase tudo que respirava).

Não é possível afirmar que foi a igreja que começou com a canalhice toda, mas que sua ajuda é fundamental, ah, isso é.

Enfim, a rejeição da igreja à homossexualidade foi sendo seguida pela sociedade que, com um medo inexplicável (ainda) de contrariar o livrinho mágico, se utiliza dele para justificar atitudes nojentas e preconceituosas.

Tudo em prol da moral e dos bons costumes. Tudo em prol dos cidadãos de bem.

Não foi só a “espiritualidade” que contribuiu pra homofobia, pelo lado da “ciência” já tivemos várias investidas nefastas, por exemplo: somente no ano de 1985 que o Conselho Federal de Medicina e, em 1994, a Organização Mundial da Saúde, excluíram da classificação internacional de doenças o código 302, que rotulava a homossexualidade como um desvio e transtorno sexual.

E ainda assim, em 2022, tem um monte de tonto discutindo a “cura gay”.

Enfim, é isso mesmo, foi ontem, em mil novecentos e noventa e quatro. Você não leu errado.

Não para por aí: em pleno 2021, ainda existem 69 países no mundo que têm leis que criminalizam a homossexualidade, com prisão e punições gerais.

Ódio disfarçado de liberdade religiosa.

Assim como o homofobia, existem várias outras questões importantes que muitas vezes são defendidas pelos odiosos com o uso da bíblia ou com algo de alguma outra religião.

Ou seja, se você acredita e segue alguma religião, na qual é proíbido namorar pessoas do mesmo sexo, isso é asssunto SEU. Só SEU.

Agora me diz aqui: Por que esse desespero todo pra salvar as pessoas do inferno? Se toca.

Você não é nenhum herói salvador das almas. SE TOCA. Ninguém LIGA pra você. Niguém liga nem pra você e nem pro seu livrinho mítico. É serio, passou da hora de você sair dessa, cara.

Veja só: EU NÃO LIGO pro que tá escrito no seu livrinho mágico, tá?

Pra mim é mais fácil porque eu não acredito, mas não sou inocente, sei que muitas pessoas se apegam nessas palavras de conforto do livrinho, muitas pessoas dão o dinheiro dos boletos pra pastor bandido por aí, eu entendo, de verdade, mas isso não é problema meu.

Eu certamente não fico entrando em perfil de pessoas crentes, agredindo elas por darem dinheiro pra pastor safado ou por eleger presidente canalha, homófico, farofeiro e burro.

Eu nao faço isso pelo simples fato de eu ter o que fazer da vida. E pelo fato de que minha opinião serve pra mim. De repente, não serve pra você.

Agora, o fato é: um livrinho mágico não pode ser usado de escudo pra tudo que é discurso de ódio. É simples.

As mulheres têm que ter o direito de fazer o que bem entenderem com uma gravidez, homens e mulheres têm que ter o direito de namorar quem eles quiserem, e até mesmo a p*rra da Volkswagen tem o direito de fazer a propaganda que ela quiser com o carro que ela quiser, desde que não ameace a integridade de ninguém.

Assim como você, tonto, tem o direito de vender seu Polo por preço de banana se quiser.

O carro é seu.

Vai lá e compra um carro de machão pra você ficar “se aparecendo” igual a um imbecil aí na rua. NINGUÉM liga.

Te incomodou o carro ser de “gay” nessa sua cabecinha de amendoim? Vende, machão.

Agora, ficar querendo aparecer na internet, aí você tá expondo ainda mais o quão frágil é essa sua “masculinidade sagrada” aí.

Não é só sobre o Carrinho da Volks

Os dados são alarmantes. O Brasil desponta, de acordo com estudos realizados, como campeão mundial em homicídios de homossexuais, onde, para cada cinco gays ou transgêneros mortos no mundo, quatro são brasileiros, o que coloca o país no topo dos países mais homofóbicos do mundo.

Segundo um levantamento do “Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+”, pelo menos 316 pessoas LGBTI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais, Intersexuais e outros) morreram no Brasil por causas violentas em 2021.

É muita gente, é muito ódio, é muita violência mas você tá bravinho com a Volkswagen e vai vender seu carro?

Você tá preocupadinho se alguém vai achar que você é gay por causa de uma propaganda de 15 segundos?

Você realmente deve se achar o alecrim dourado do mercado automobilístico, não é mesmo?

Vai se tratar, vai.


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